Ponto de partida: Charitas, em Niterói, onde o barco fica ancorado. Dali, partiram com o carro, as bikes, alforjes e muitos pães de queijo rumo à Maricá, via Rodovia Amaral Peixoto, passando por Jaconé e pela Serrinha. Até aí nada demais, o caminho já era velho conhecido.
Mas depois da serra, o que fazer? Mulher de Ciclos sabia que seguindo em frente, acabaria em Iguaba, que beira a Lagoa de Araruama, e isso ela não queria.
Seu companheiro não poderia ajudar muito: o modelo veio com sérias avarias no GPS interno: era um daqueles capazes de se perder no jardim de casa.
Decidiram entrar para Saquarema, atravessar a ponte e a Igrejinha, como quem vai para Bacaxá, e ali rumar para a Praia de Itaúna. Com um guia rodoviário numa das mãos e um mapa na outra, Mulher de Ciclos buscava uma ligação entre Itaúna e Praia Seca.
Ninguém sabia confirmar se a ligação de fato existia, se era possível passar de carro ou de bike. No guia, nenhuma estrada à vista. Ao fim da Praia de Itaúna, dão de cara com o fim da rua de terra e uma placa, “Reserva Ambiental de Massambaba”. Dali para frente, areia fina, fofa e muito branca.
O jeito era voltar com o carro e pegar a estrada principal. Mas a dupla não se conformou. Equipados com notebook e wi-fi a postos, começaram a procurar uma saída.
Mas eis que ali, em algum ponto entre o nada e o lugar nenhum, não há wi-fi que dê sinal. Sem Tio Google para ajudar, eles resolvem se enfiar em casa estradinha de terra que verem pela frente.
E não é que cicloviantes-de-carro-perdidos também têm seu santo protetor? De repente, aparece uma estrada compriiiiiiiiida, que parecia ir na direção certa. “É essa”, Mulher de Ciclos pensou. Tinha que ser aquela!
Subiram um bocado e lá do alto já não dava para ver mais o mar, apenas a vegetação da Reserva de Massambaba, a perder-se de vista. Pareciam estar cada vez mais afastando-se do litoral, mas devia ser assim mesmo: era preciso contornar a reserva por fora.
Descendo, chegaram à uma bifurcação. Mulher de Ciclos queria ir para a esquerda, seu companheiro para a direita. Palpite errado, e a esquerda era a direção certa. À direita, logo encontram um animado grupo de turistas-roxos-de-sol em um bugre, que nos confirmam: seguindo por ali, sairíamos perto do mar. Onde? Eles não sabiam!
Passam por um grupo de meninos de bicicleta e a região começa a ficar movimentada. Uma casinha aqui, outra acolá, e sinais de que aqueles são quarteirões de ruas.
Seguem até a Lagoa Vermelha e, durante parada estratégica na birosca, descobrem que estão na Praia de Vila Tour. Recomendam seguir o asfalto até a Amaral Peixoto, mas caminho errado, não era essa a intenção.
Logo que entram na rodovia, a BR-106, pegam a saída para a RJ-132 e depois a RJ-102, que leva à Praia Seca. Perderam o atalho, mas acharam a estrada certa. Agora era só seguir em frente e aproveitar o visual do mar e das antigas salinas da região.
Praia da Pernambuca, com paradinha para comprar pulseirinhas “de férias”. Depois, vòila: Arraial do Cabo, com as Praias de Figueira e Monte Alto.
Chegando a Cabo Frio, uma certeza: o vento prometia. O dia seguinte, pedalando, seria dureza…











