O Rio de Janeiro ficou pequeno para tantas bolinhas vermelhas. Explica-se: Mulher de Ciclos tem uma canetinha vermelha e um mapa do estado do Rio, onde assinala seus destinos cicloturísticos. Assim partiu só, e de busão, rumo a Juiz de Fora. Desta vez, seu companheiro – de cicloviagens e de vida – não estaria consigo.
Destino? As dunas brancas e as águas cor de Coca-Cola do Parque Estadual da Serra de Ibitipoca – a montanha que arde, que estoura, que explode, tal qual pipoca. Um grupo de intrépidos ciclistas sairia da cidade em que há muito tempo um juiz veio de fora, em direção a Lima Duarte.
O caminho não seria o óbvio, pelo asfalto da BR-040, mas sim por trilhas e estradas vicinais de terra, em um total de 80km no primeiro dia.
O grupo encontrou-se pela manhã na graciosa sede do SESC Campestre de JF e começou o dia já pedalando forte, e Mulher de Ciclos ficou para trás já nos primeiros quilômetros. Os demais ciclistas tinham um estilo de pedalar muito diferente do seu ritmo “cicloturista de ser”.
O trajeto de início enganava, no que ela gostou muito: longas e deliciosas descidas, nas quais pôde largar os freios. E não é que veio largando pelo caminho também tudo o que estava mal amarrado’ – com excessão do importantíssimo saquinho de caramelos, preso com muitos nós – em seu bagageiro (ou como os mineiros gostam de chamar, porta-cargas)?
Pertences recuperados, e depois de algumas descidas à frente, foi a vez de Edredon cair pelo caminnho. Não, Mulher de Ciclos não levou seu cobertor para a cicloviagem. Edredon era um dos intrépidos ciclistas do grupo, que usava grandes (e quentes) cotoveleiras de proteção, que havia tirado pouco antes de cair. E como a Lei de Murphy iria atacar com vontade ao longo do dia, Edredon estropia seu cotovelo esquerdo.
Ao vê-lo cair, eis que Aquaman, em um misto de ciúmes e solidariedade, dá uma cambalhota fenomenal ao lado do ciclista ralado no chão. Enquanto sua bike estabaca-se na curva, Aquaman cai elegantemente em pé. Coisa para profissionais. Apenas a camisa, que de branca passou a marrom, denuncia a vaca.
Logo à frente, dúvida: uma bifurcação e à direita, uma pirambeira medonha. À esquerda, o caminho seguia plano. Mulher de Ciclos esperou por mais alguns que vinham atrás, já que não havia o menor sinal de ciclistas à frente. Seguiram pela esquerda, mas encucados. Nenhuma marca de pneu, nenhum rastro. Uma das metades do grupo estaria errada. E perdida.
Depois de ver a cachorrada passar, que Mulher de Ciclos pediu para deixá-la em paz e correr atrás de quem tinha mais “carninha” (para protestos de alguns do grupo), a dupla M&M confirma com nativos da região que estavam no caminho certo. Apesar disso, nada de comemorações: estar no curso significa que a outra metade do grupo tomou a direção errada e subiu a piramba.
M&Ms ficaram preocupados. M1 correu – ou melhor, pedalou – no encalço dos perdidos, enquanto M2 seguiu com os demais, em ritmo mais lento. Faltavam poucos quilômetros para a mercearia onde almoçariam. Mulher de Ciclos seguiu batendo suas fotinhos … E não é que surge logo a pequena mercearia, com altarzinho de Nossa Senhora, um bom banho de bica e uma fantástica comida caseira, que a deixou salivando até agora?
Um bocado depois chegou o restante do grupo, esbaforido. Aprenderam a lição: cicloturismo não se faz com pressa. Na dúvida, espere pelos guias.

Depois do almoço a coisa piorou. O calor estava cruel, e por todo o percurso sombras eram artigo escasso. Pirambas cada vez mais longas surgiam e o almoço pesava. Logo, as cãimbras começaram a dar sinal. Edredon abandonou a aventura ainda no almoço, para alegria de todos (mais à frente, meus queridos leitores, vocês entenderão porquê).
Agora era M1 que sofria com elas. Estranhamente, a água evaporava das caramanholas, naquele sol de fritar bacon. Poucos quilômetros depois do almoço, seu líquido precioso já havia acabado, e Mulher de Ciclos ficou seriamente preocupada. Mas ela só ficou neurótica mesmo depois de ouvir um sonoro não do trio M&M&M: não, não havia mais nenhum ponto de água mais è frente.
À beira da estrada surge uma modesta casinha, com um fusquinha estacionado ao lado. Mulher de Ciclos lá foi bater, atrás do líquido precioso, em vão: ninguém em casa. Pouco depois de começar a amaldiçoar aquele calor infernal, o grupo surge parado à sua frente refrescando-se em uma cachoeira, daquelas com hidromassagem e tudo.
Como nem tudo o que reluz é ouro, a água refrescava mas não hidratava. Muito barrenta, mal dava para bebê-la, apenas algums bochechos para aliviar a secura.
Os lábios rachavam com o calor do sol e a poeira da estrada aumentava a senação de secura. Começou a ver camelos, cactos, Ali Babá e 27 dos 40 ladrões. Por um breve instante, até achou que estava alucianando: ouvira ou não barulho de água?
Mulher de Ciclos precipitou-se da bike e começou a procurar no mato. Mais dois ciclistas foram recrutados para a tarefa de achar água, e evitaram que se embolasse toda na cerca de arame farpado. Um pequeno riacho, salvador, passava por baixo da estrada e abasteceu as caramanholas.
Agora sim, Mulher de Ciclos respira aliviada. Depois do susto de ficar à míngua, nada pior poderia acontecer. Pelo menos era o que ela achava naquele momento…































Estou curioso para saber do resto da história, posta aí querida cicloturista. Parabéns pelo blog e pelas aventuras de pedal.
Por Favor … Kd a continuação da Saga ciclistica ?? no aguardo , pois a história desenrola se divertidissíma ! ???
Mto bom seu Blog.