Depois da série de ping-pongs com ciclistas, na GALERIA DE CICLISTAS (veja no menu lateral do site), Mulher de Ciclos começa uma série de entrevistas maiores com cicloturistas.
Saiba como eles começaram a pedalar, o que eles pensam e por onde andam… Enquanto a primeira entrevista não vai ao ar, conheça um pouco mais da entrevistada de hoje, a “Mulher de Ciclos”.
PERGUNTA: O que é o www.mulherdeciclos.com? É um blog ou um site sobre cicloturismo?
MULHER DE CICLOS: Este não é um brogue de memórias. Muito menos um guia turístico. Talvez possa chamá-lo de ‘diário de bordo’ das minhas cicloviagens e roteiros ciclísticos pelo Rio de Janeiro, lugar onde nasci, cresci e pelo qual sou perdidamente apaixonada.
PERGUNTA: Você é fanática por bicicletas desde criancinha? Ou ess interesse é recente?
MULHER DE CICLOS: Em dezembro de 2007 comprei minha primeira bicicleta da fase adulta. Nunca tive muita afinidade com elas, fui uma criança desajeitada e que não gostava de esportes. Sempre arranjava uma desculpa para fugir das aulas de Educação Física, e no queimado disputavam para não ter que ficar comigo no time.
Mas essa magrela que me iniciou era uma Caloi Aluminum simplezinha de doer. Ficou encostada lá por um mês, até que meu ex-marido começasse a falar: “eu disse que você ia gastar dinheiro à toa”, “eu disse que essa bicicleta ia ficar aí sem uso”.
Agradeço a ele profundamente por ter me dito aquelas palavras! Afinal, tem incentivo maior do que alguém nos dizer que não somos capazes de fazer alguma coisa?
PERGUNTA: A pergunta clássica, claro. Como foi que você começou a pedalar?
MULHER DE CICLOS: O dia 15 de janeiro de 2008 foi o primeiro dia da minha nova vida. Saí para pedalar e fiz um pacto comigo mesma de que aquilo seria um hábito quase diário. O sedentarismo estava me trazendo problemas. Além de estar com o peso um pouco acima do ideal, dores na lombar e no ciático me atormentavam.
Os primeiros dias foram cruéis. Para um ser acostumado à estagnação física como eu, pedalar 5 km era uma aventura! Os músculos da perna queimavam e eu parava a cada quilômetro ‘vencido’. Dar uma volta completa no Aterro do Flamengo parecia quase impossível, e o dia que consegui, voltei para casa radiante.
PERGUNTA: Mas teve um “pulo do gato”. Como daí você partiu para o cicloturismo?
MULHER DE CICLOS: Assim fiquei por alguns meses, até finalzinho de agosto de 2008. Pedalando sozinha pelas ciclovias da Zona Sul do Rio de Janeiro. Às vezes me aventurava no trânsito, para pegar prática e me habituar a pedalar junto dos carros, coisa que me apavorava quando adolescente.
A essa altura eu estava desesperada por fazer amizades ciclísticas. Queria tirar dúvidas, trocar idéias, mas eu não conhecia mais ninguém que pedalasse. Algumas vezes cheguei a emparelhar ao lado de outros coleguinhas ciclistas, puxar conversa, afoita por fazer amizades. Mas eles não me deram muita bola não.
PERGUNTA: Pelo visto você conseguiu fazer suas amizades “ciclísticas”. Até criou um blog depois… rs.
MULHER DE CICLOS: Consegui! Mas do mundo real passei ao mundo virtual. Comecei a buscar na rede grupos de discussão de ciclismo e a pesquisar sobre o assunto. Descobri no Orkut uma comunidade que reunia ciclistas, clientes e funcionários da Kraft Bikes, no Rio.
Tomei uma decisão que mudaria minha vida: criei um novo tópico na comunidade, com a pergunta que já há algum tempo me martelava na cabeça: “Como entrar para a tribo do pedal?”.
Eu queria me sentir igual àquelas pessoas que falavam em ‘fazer um pedal’, que se auto-intitulavam ‘ciclistas’, percorriam distâncias que para mim na época pareciam absurdas, e falavam coisas como ‘não deixar cair o giro’.
PERGUNTA: Conseguiu?
MULHER DE CICLOS: Ah sim, eu queria tanto ser igual a eles… hehehe! E a ‘acolhida’ (impossível chamar de outra forma), não poderia ter sido mais calorosa. Fui de fato ‘adotada’ por muitos ali.
Não posso esquecer um texto enorme, escrito por um deles, sobre a ‘Tribo do Pedal’, respondendo à minha pergunta, e que depois reproduzo aqui. Mas sempre um imprevisto me impedia de ir ao primeiro passeio com o grupo.
Outra coisa que me desanimava eram os horários. Como acordar às 6h de um sábado para pedalar? Achava tão absurdo aquilo, eu outrora boêmia, que dormia nos finais de semana até às 13h.
Mas havia também alguns noturnos nas quintas-feiras. O frio na barriga me segurava. Afinal, conseguiria eu acompanhar o ritmo do grupo? Não sabia. Mas uma noite, voltando do trabalho, jamais me esquecerei. Vejo aquele monte de luzinhas piscando, vindo em minha direção. O coração pulou e quase saiu da boca. Pensei: “São eles, são eles”.
Quando o grupo passou por mim, pedi: “Posso ir com vocês?”. Não me ouviram. E triste, cabisbaixa, segui meu caminho. Mas para minha surpresa, mais atrás vinha mais um grupinho de ciclistas, piscando, acesos, e dessa vez, consegui fazer a volta a tempo, emparelhar e gritar novamente, mais alto ainda: “Posso ir com vocês, posso?”.
“Claro, junte-se a nós”, uma voz me respondeu, e eu feliz da vida, segui com eles. Tímida, fiquei ali por último. Depois, parados em um sinal de trânsito, a voz se aproximou: “Você é a Thais, não é? Reconheci você pela tala no seu braço”.
Eu estava com o braço direito imobilizado, e havia ficado uma semana em casa, após ser atropelada voltando do trabalho de bicicleta, por um motorista que furou o sinal vermelho. Voltava às minhas atividades naquele dia, e em uma crise de abstinência de pedal, resolvi ir de magrela assim mesmo, braço ainda na tala.
Passei pelo ‘ritual de iniciação’, que eles chamam de batizado, que todos os ciclistas da comunidade passam. E conheci alguns que hoje são grandes amigos. Já neste primeiro dia, me davam toques ou dicas de como treinar para melhorar, de fazer subidas, e outras coisas mais.
Fiquei fascinada. Era tudo o que eu queria. Ampliar os horizontes ciclísticos, digamos assim.
PERGUNTA: Pelo visto seus companheiros de pedal tiveram um papel muito importante no surgimento de uma nova “ciclista”…
MULHER DE CICLOS: Sim, com a ajuda deles, a evolução foi rápida! Depois de mais dois passeios leves, fui incentivada a tentar um de sábado, que era mais pesado. Era setembro, apenas uns quinze dias após o meu primeiro rolé com o grupo.
Fomos para Itacoatiara. Pela primeira vez na vida, eu pegaria uma subida. Já no início, desesperei. O grupo disparou à minha frente, e eu fui ficando pra trás naquela ladeira interminável. Dois voltaram para me ‘escoltar’ e me dar apoio. A essa altura eu já quase chorava!
No finalzinho, fui empurrando. Mas cheguei lá. Ainda estava fisicamente abalada. Pouquíssimo tempo se passara desde que um papel mudara minha vida de forma taxativa. Descobri que sou celíaca.
PERGUNTA: O que é doença celíaca? Isso impacta na prática esportiva?
Doença celíaca é arlegia ao glúten, presente em cevada, aveia, trigo ou centeio. Naquele momento, nada do que eu comia, poderia continuar a comer. Alimentos com com estes 4 cereais, e mais a lactose, estavam terminantemente proibidos, ou seja, a maior parte do que existe por aí…
E eu sofria os efeitos de uma vida com glúten. Li que só depois de um ano sem ingerir o corpo se ‘desintoxica’ de verdade.
Nesse dia eu ainda sentia dores. Mas não me importava, queria era seguir o grupo. Durante o dia, todos se esbaldaram. Sanduíche natural, pastel do tamanho de uma folha A4. Eu fiquei no picolé de uva e com as bolachas de arroz que levei comigo.
Ali percebi que teria uma dificuldade a mais para me tornar ciclista: sempre deveria levar comigo minha comida. E julguei bem. As poucas vezes que não o fiz, me arrependi. Como há dois dias atrás, em uma subida corriqueira pelas Paineiras.
Superestimei-me e o ‘prego de fome’ veio, me obrigando a comer alimentos proibidos e que vão trazer efeitos colaterais por pelo menos mais esta semana…
PERGUNTA: Pelo visto essa época representou um marco na sua vida. O que mais ela representou? O ciclismo foi um divisor de águas?
MULHER DE CICLOS: Aquele fim-de-semana, em setembro de 2008, também foi o começo do fim. Fim do meu casamento. Senti que seja lá o que for que o ciclismo despertou em mim, era irremediável. E percebi que dali para frente nada me faria abrir mão disso. Dessa vez seria diferente!





otemo,
espero pela continuacao…
Oi Thais! Tô adorando teu brogue! Me identifiquei demais com essa postagem. Minha bicicleta é uma Monarka Montain Bike e tenho ela há mais de 10 anos – ganhei de um ex-namorado para pedalar pela cidade, ir à faculdade, trabalhar, o que o fiz naquela época depois, ficou anos parada. Agorinha, em dezembro passado, voltei a dar umas pedaladas pela cidade (Porto Alegre) e fui indo mais longe, mais longe… no último domingo fiz 88Km com mais 2 amigos, fomos até a praia do Lami, uma praia do nosso “Rio” Guaíba. A empolgação que senti, foi a mesma que tu narras na postagem. Minha próxima meta é Itapuã, alguns Kms depois do Lami. Gostaria de fazer algumas viagens mas tenho um probleminha para dormir fora de casa (veja no meu blog http://www.adoteumfocinho-tiane.blogspot.com )mas um dia eu chego lá. Parabésn pelo brogue! Desculpa pelo longo comentário…me empolguei!Bjinhos! Tiane
tbossle@terra.com.br
Olá, Thais. Gostei muito, parece um ritual de iniciação para todo ciclista. Comigo também foi parecido. No início ninguém te dá bola. A gente procura alguém com quem pedalar e assim vai. Eu sou de Brasília. Aqui eu pedalo mais com o pessoal do CLD (http://br.groups.yahoo.com/group/Ciclismo_de_Longa_Distancia/) às vezes também com o pessoal do Pedal Noturno (http://www.pedalnoturnodf.com.br/) que é um grupo muito unido, referência de amizade mesmo. Quando visitar Brasília e tiver oportunidade de pedalar aqui, será bem-vinda, convide o maridão para pedalar também.
abraços,
–
Alessandro
Impossível não me identificar com sua historia. Só que eu ainda estou na fase de procurar na internet como me juntar a algum grupo de ciclistas. Os problemas que enfrento são os mesmos. Não conheço pessoas que pratiquem o ciclismo e as tentativas de conhecer gente que goste não foram bem sucedidas. Sou de SP e durante algum tempo frequentei o Parque do Ibirapuera na tentativa de me enturmar com alguma galera do pedal. Infelizmente em vão.
Mas sua historia me animou a continuar a busca.
Parabéns e boas pedaladas
Viva a sociedade ciclista! hehehe.
Depois de ter comentado no Facebook que o teu blog estava parado, deparo-me agora com uma cara lavada, bem fresca, cheia de cor. A Mulher de Ciclos foi a minha inspiração para começar e até, também, para criar um blog. Passem lá: http://pisandoopedal.blogspot.com/
Pedalem muito!
Michel,
Não procure o parque do ibirapuera para enturmar-se no pedal, pois a maioria de quem pedala lá pedala pouco, e apenas lá.
Não và também à USP, lá só vai achar atleta que pedala a trocentos km/h em bikes de trocentos mil reais.
Procure pelas ruas da cidade, especialmente após o expediente, quando muitos pedaloucos voltam do serviço para casa ou para combinarem de continuar pedalando.
Muitos deles coincidem na última sexta feira do mês na Av. Paulista x Consolação. Apareça lá, umas 19 ou 20h.
Muitas tribos coincidem lá. Basta achar a sua.
Ai,
Salve, Salve, confeço que rolaram umas lagrimas, me sinto igualzinha, vce descreveu que sentia, mas estamos conseguindo pedalar junto aos ciclista.
E que nos importa…
Quero participar!!!
Beijocas
OLÁ AMIGA GOSTEI MUITO DESSA SUA REPORTAGEM ,EU JA PEDALO A DOIS ANOS POR TRES VEZES NA SEMANA SO QUE NÃO TENHO COMPANHIA SEMPRE COLOCO FRASES NO MEU MSN CONVIDANDO UMA AMIGA MAIS ELAS SEMPRE RECUSAM , MAIS NÃO DESISTO MAIS TE CONFESSO QUE QUERIA UM COMPANHEIRO PRA ESTÁ AO MEU LADO SEJA LÁ DE QUAL SEXO , MAIS NÃO VOU DESANIMAR NÃO , MORO EM GOIANIA -GOIAS E TENHO TODO MEU TEMPO LIVRE PARA ESSA MARAVILHA QUE É PEDALÁ BEJOSSSSSSSSSSS