Quem estava por volta de 7h da manhã daquele domingo, na estação de Vicente de Carvalho (linha 2 do metrô no Rio de Janeiro) não entendeu nada ao ver um ser ciclista, meio humano meio alienígena-cabeçuda, dando voltinhas no entorno da estação.
Uma só já era estranho. Por aquelas bandas, raríssimo encontrar exemplares da espécie Ciclistas cabessudencis. Qual não foi a surpresa dos passantes quando a ciclista-cabeçuda começa a agitar os bracinhos e lá do alto (da passarela, não da nave espacial, que já tinha ido embora) surgem mais três, iguaizinhos a ela?
Penélope Charmosa, Menino-aranha e The Monster se juntavam a Mulher de Ciclos para mais uma aventura. Destino? Angra dos Reis, cidade espremida entre o mar e a montanha, na região da Costa Verde do Rio de Janeiro.
Era a vez de levar Amélie, sua pequenina speed, para passear. E como passeou! A temida Av. Brasil, depois da altura de Irajá, nem é tão temida assim. Acostamento, poucos pontos de ônibus e menos buracos fazem dela uma via bem pedalável.
A primeira paradinha para comprar água e Guaracamp foi de risos. As vendedoras e os PMs que por ali estavam não conseguiam entender como íamos para Angra dos Reis de bicicleta.
Logo logo pegaram a Rio-Santos. O percurso pela Av. Brasil, já partindo da Zona Norte, nada deixa a dever no caminho pela orla, pela Barra e Zona Oeste.
E aí começou a estrada que Mulher de Ciclos tanto gosta. Deve ter sido peixe em uma reencarnação recente, já que ela tanto sente necessidade de mar. Mas antes de começarem a ver o horizonte, parada para fotografar a linha de trem e para comer pães de queijo.
Ali soubemos que nosso apoio estava mais pra acompanhante do que pra apoio. Saíra tarde do Rio e pararia na estrada para comer. Mas até aí, tudo bem, o intrépido grupo não estava precisando de nada mesmo… Não até aquele momento!
Por que eis que depois, em uma das subidas, um barulho esquisito e a relação de Mulher de Ciclos trava completamente. A relação de sua bike, digo. A corrente engatou de tal maneira, tão justa, que nem era possível soltá-la para destravar o câmbio. E crente, crente que The Monster carregava a chave de corrente (sabia que ele tinha uma), se ferrou. Nada, ele tinha deixado em casa, achando que não ia precisar. Penélope também deixou a sua casa, mas achando diferente: achando que mais alguém ia levar.
E no acha, não acha, ninguém acabou achando a porcaria da chave. O jeito era tentar desmontar o câmbio… Tentar, por que até então nenhum dos dois tinha feito isso antes nem tinha também a menor idéia de como fazê-lo!
Desmontar qualquer coisa é fácil, e aí a cagada estava feita. Depois de fritar um bocado e apanhar mais ainda, os dois desmiolados ciclistas conseguem colocar tudo no lugar. Algumas marchas ficaram proibidas, mas o percurso era em maior parte plano, com subidas pouco íngremes, não fariam falta…
Com carapinha e mãos pretas, Menino-Aranha indica um lugar para os dois se lavarem. E a viagem seguiria!
Mais à frente, parada para almoço, e nada do carro de apoio aparecer. As “crianças” se refestelaram com refeições para dois, que pareciam para quatro. E Mulher de Ciclos quase rapta o gatinho que lhe fez festinha.
Finalmente, carro de apoio! O grupo desovou as bagagens no Hell-Boy (o redondo veículo azul chifrudinho) e seguiu mais leve, agora com escolta.
Mas peninha, a viagem já estava no fim.Chegando perto de Angra dos Reis, o visual, de incrível, passa a espetacular.
Em alguns momentos, a estrada se abre e revela o mar até o horizonte. Em outros momentos, lembra uma alameda, coberta de árvores e sombra. Logo apareceu a placa para Portogallo, apenas 10km.
Na entrada do hotel, que ficava uns 20km antes da cidade, parada para foto oficial, e surpresa, o grupo encontra um cicloturista solitário, querendo indicações de camping por ali.
Ele pensava em seguir até Paraty, mas a cidade ainda estava longe e ele teria que pedalar à noite pela Rio-Santos, o que não é muito recomendável. Mas em meio à conversa, ele desconversa: “Ué, você não é aquela ‘menina de ciclos’, do brogue?”.
Muitas risadas, despedidas, piscina, teleférico, praia, diversão, e hidromassagem coletiva. Assim acabou a deliciosa cicloviagem, e se passou o resto do fim-de-semana!
Mas Mulher de Ciclos mal sabia que uma outra estava apenas começando, ali, bem naquele dia: uma longa viagem, tão longa que duraria a vida inteira, e que nessa, não estaria sozinha, jamais, em momento algum…
E nos momentos em que estiver ’só’, pedalando por aí, ela teria alguém, em algum lugar do mundo, o quão distante for, que estará com ela… Nem que seja em pensamento.
Afinal, como dizia Patativa do Assaré: “quem viaja acompanhado encurta mais o caminho, pois tudo o que existe na vida, se achando sozinho, é triste“.



































Apropos de sua ultima frase: “quem viaja acompanhado encurta mais o caminho, pois tudo o que existe na vida, se achando sozinho, é triste“. Entao espero combinar com voce quando cheguei ao rio depois da longa pedalada pelo litoral
Que bom e pedalar, conhecer e curtir, neh?
adorei muito bom vc e de++++++